quarta-feira, 28 de abril de 2010

Habilidades

Todo mundo tem uma habilidade.
Romário nasceu para o futebol, Schumacher para Fórmula 1 e ainda nasce um Leonardo da Vinci, que realmente foi um sujeito fora da curva.
Sempre me pergunto: Em quê sou realmente bom?
Pelo que me lembro, tudo começou com um João Bobo. Meu avô presenteou meu irmão com este brinquedo novo, entretanto ele nunca teve a oportunidade de usá-lo: furei o João Bobo com um elefantinho de plástico, que vinha sobre o doce Maria-mole.
Esta sina de destruidor sempre me incomodou.
Minha tia havia comprado uma televisão nova, para o azar dela pifei a televisão sem ao mesmo ela ter visto funcionar uma única vez. Fui instalar o aparelho e deixei fragmentos de fio da antena cair dentro da televisão. Foi só ligar e escutar uns estalos. O cheiro de queimado tomou toda a casa. Abri as janelas, as portas e pedi meu irmão (aquele do João Bobo) para descer do telhado e me ajudar, pois enquanto ele tentava ajustar a posição da antena, lá embaixo eu já tinha dado cabo à televisão.
Cresci arrancando rodas de carrinho de briquedo, quebrando descarga de banheiro. Já provoquei curto-circuito em projetor de slides, coloquei fogo em choupana de pescador, abri um buraco com ferro de passar no cobertor de hotel.
Faz pouco tempo que comprei um GPS e já o estraguei por duas vezes - um curto-circuito e uma tela quebrada. Já estou me convencendo que sou bom nisso. Será essa minha vocação? Tocar violão, jogar xadrez, cantar, dançar, jogar futebol, jogar volei, cozinhar são áreas que até já insisti, mas meu senso crítico foi mais forte que a minha perseverança.
Sinceramente não penso em deixar de buscar algo em que eu seja realmente bom. Vou insistir nesta procura.
Acho que nem a mãe do Schumacher concorda que ele leva jeito para o futebol e com certeza o Romário não se destaca por ser um grande piloto.
Enquanto não descubro a minha habilidade nata, você me empresta seu relógio para eu fazer um teste?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sigo em frente

Vai que dá certo! Fica aquela vozinha metida a consciência alfinetando a mente, tornando insuportável sair indiferente ao novo, ao desafio que nos arranca a serenidade para jogá-la dentro de um turbilhão.
O medo nem sempre é ruim. Nos livra de dentadas de cachorro, do carrinho na canela nas bolas divididas, das discussões de trânsito e até mesmo do balde na cabeça que cai da escada.
Enfrentar nossos temores requer uma visão um pouco mais audaciosa, que propicia novas experiências, que nos coloca em um novo patamar, onde voltar já não é mais possível.
Escrevi tudo isso para dizer que me arrisquei ao escalar um paredão. Na verdade, hoje foi o meu segundo dia apertando aquela campainha no ponto mais alto, mas certamente foi uma sensação tão prazeroza quanto da primeira vez.
Foram algumas aulas tentando, mas sempre descia quando olhava para baixo. As pernas falseavam, o coração palpitava e suava frio. Com muito incentivo do professor e um pouco de persistência, cheguei lá. Gosto disso: de passar fases, quebrar etapas e despertar o novo e desconhecido.
Medo de altura sempre foi meu Calcanhar de Aquiles. Talvez em não tenha somente dois calcanhares. Pensando bem, tenho muitos Calcanhares de Aquiles. E daí? Próximo!